PRIMEIRO CAPÍTULO
Tudo parecia parado. O calor era de tal forma insuportável que Marianna fez sinal ao grupo:
- Vamos parar debaixo daquela árvore. Se a Natureza pára, nós fazemos o mesmo.
Há mais de uma semana que tinham iniciado a jornada. Sarmary estava a morrer lentamente e ninguém sabia o que fazer. A última esperança era encontrar a solução junto dos Varders, conhecidos pela sua enorme sabedoria e pela sua relutância em falar com estranhos. Não eram agressivos, nada disso. Pura e simplesmente evitavam estranhos. E eram exímios nisso. Podíamos estar a menos de um metro de um Vard sem o saber.
Princesa Marianna não conseguia disfarçar a sua preocupação enquanto contemplava a irmã Sarah que dormia encostada ao cão que desde sempre as tinha acompanhado em todas as aventuras.
Sarmary definhava. As árvores secavam, as flores murchavam, os animais partiam... e as pessoas tornavam-se cada vez mais tristes e soturnas. Ninguém sabia a razão. Tudo acontecia como num livro de aventuras com dragões, bruxas maléficas, príncipes e princesas.
E foi isso que a fez tomar a decisão de partir. Era uma princesa. Nesses livros alguém se encarregaria de salvá-la. Mas aqui ninguém tomava a iniciativa. Contou os seus planos à irmã, eternas confidentes uma da outra; e pediu-lhe que jurasse guardar segredo. Ela cumpriu. Mas, secretamente, juntou-se ao grupo e quando Marianna deu por isso, estavam já demasiado longe de Sarmary para que houvesse volta.
Sarah acordou e sorriu. Sorria sempre. Mesmo nas situações mais complicadas como daquela vez em que o rei, seu pai, as castigou severamente por lhe terem desobedecido. Tinham ido cavalgar para a Floresta Cinzenta, onde muito poucos se atreviam a entrar, só para confirmar se lá existiam lobos. Existiam! Muitos e esfomeados. Foi por uma unha negra que se salvaram, graças à agilidade e velocidade dos seus cavalos e a uma espécie de proteção divina que sempre parecia acompanhá-las.
O velho rei, muito aflito, ficou furioso:
- Como podeis ser tão tolas e irresponsáveis!? Não andareis de cavalo durante um mês.
Sarah encolheu os ombros, sorriu e beijou o rei.
- Está bem pai, não te aborreças tanto.
Ao fim de uma semana, graças ao sorriso de Sarah, já o castigo tinha terminado e as duas montavam atravessando prados verdejantes. E foi nesse dia que viram os primeiros sinais.
O prado verdejante terminava abruptamente numa espécie de pasta acinzentada e o frio, muito frio parecia emanar dessa pasta.
Voltaram para trás assustadas e contaram o que tinham visto ao rei. Este não se mostrou surpreendido.
- Já sabia disso. Mas não pensei que estivesse tão perto. Precisamos de ajuda...

